RELATÓRIO DA COMISSÃO DE MULHERES REUNIDAS NO PRIMEIRO ELAC.
Durante o Primeiro ELAC foi feita uma reunião para discutir as questões específicas das mulheres, contou com a participação de cerca de 50 companheiras e companheiros de vários países, entre eles Equador, Paraguai, Uruguai, Haiti, Argentina, Colômbia e Brasil.
Relatora: Cecília Toledo
Durante o Primeiro ELAC foi feita uma reunião para discutir as questões específicas das mulheres, contou com a participação de cerca de 50 companheiras e companheiros de vários países, entre eles Equador, Paraguai, Uruguai, Haiti, Argentina, Colômbia e Brasil.
Na verdade, não fizemos um relatório, mas um Manifesto ou Declaração, como se preferir. Os relatos das diversas companheiras estiveram centrados, sobretudo nas condições subumanas a que estão submetidas às mulheres trabalhadoras e pobres de nosso continente, uma situação de aumento da miséria, superexploração, precarização das relações de trabalho e, sobretudo, um recrudescimento sem precedentes de todas as formas de violência doméstica.
Os relatos mostravam que em todos os países a situação das mulheres trabalhadoras e pobres é muito semelhante, denotando que as políticas neoliberais impostas pelo imperialismo e aplicadas pelos governos burgueses locais, frente populistas ou populistas, atingiram de forma parecida à classe trabalhadora e pobre, golpeando sobre seus setores mais oprimidos, em especial as mulheres.
Diante do pouco tempo que as mulheres tiveram durante o ELAC para debater suas questões específicas, resolvemos formar uma Comissão para redigir um Manifesto a ser lido do plenário, e que fosse de consenso.
Essa Comissão foi formada livremente, pelas companheiras que se dispuseram ali no momento a integrá-la, a saber, uma companheira do Equador, uma companheira da Colômbia, uma companheira do Paraguai e três companheiras do Brasil.
Segue o texto do Manifesto:
“Nós, mulheres e jovens trabalhadoras de todos os países representados no Primeiro ELAC, manifestamos nosso mais veemente repúdio às agressões militares e os estupros e violações de mulheres em Haiti por parte dos soldados da Minustah. Fazemos nossa, a voz do ELAC exigindo a saída imediata das tropas da Minustah do Haiti e todas as tropas de ocupação do nosso continente e do mundo. As mulheres trabalhadoras e pobres da América Latina e o Caribe, hoje são as maiores vítimas da espoliação capitalista de nossos países, da depredação de nossas riquezas e da exploração sangrenta da nossa mão de obra.
Essa situação agrava a miséria das massas e submete as mulheres a uma opressão cada vez mais grave.
Essa violência afeta também os filhos. Por todos os lugares dos nossos países o que vemos são crianças abandonadas, jovens sem perspectiva de futuro, sem saúde nem educação e vulneráveis à violência policial e às drogas.
A privatização dos serviços públicos, como a saúde, faz com que sejam fatais as enfermidades que afetam as mulheres, fazendo que sua expectativa de vida seja cada vez menor.
Em nossos países, a cada 4 minutos uma mulher é espancada em sua própria casa e cada dia mais mulheres morrem em conseqüência de abortos clandestinos.
Por isso lutamos:
- Não à precarização do trabalho;
- Por trabalho e salários dignos e iguais para homens e mulheres;
- Por creches e casas abrigo em todos os bairros;
- Pela descriminalização do aborto;
- Basta de violência doméstica;
- A mulher não é uma escrava: lavanderias, restaurantes e creches públicas e de qualidade;
- Programa de saúde para a mulher: amplo acesso a educação sexual e aos contraceptivos;
- Contra todas as formas de discriminação por raça, etnia, sexo, orientação sexual e idade;
- O corpo da mulher não é uma mercadoria. Contra toda a publicidade que vende a mulher como se fora um produto de consumo;
- Ampla campanha de sindicalização de mulheres. Combate a toda forma de machismo nos sindicatos e organismos da classe trabalhadora.
Nós, aqui reunidas no ELAC, nos pronunciamos categoricamente:
ABRAM CAMINHO ÀS MULHERES TRABALHADORAS!
Sem as mulheres não há vitória possível!
Chamamos a todas as mulheres trabalhadoras e pobres da cidade e do campo, para que se integrem nos organismos da classe, para que juntos lutemos por nossa liberação e por uma sociedade na qual homens e mulheres possamos viver livres e felizes, sem nenhum tipo de opressão, exploração e desigualdade”.
Mulheres no Primeiro ELAC
8 de julho de 2008
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