Relatorio do Grupo de AGRONEGÓCIOS
Informe do grupo Agro-industrial
ENCONTRO LATINO-AMERICANO E CARIBENHO DE TRABALHADORES - ELAC
7 e 8 de julho de 2008 – Betim, Minas Gerais – Brasil
Informe do grupo Agro-industrial
Relator: Didier Dominique (Haiti)
Este grupo estava composto de representantes do Brasil, Paraguai, Argentina e Haiti.
Em primeiro lugar, decidimos refletir a respeito das lutas no campo, globalmente, incluindo todo tipo de trabalho agrícola, e não somente em agro-indústria, mesmo porque estamos nos dando conta de que o capitalismo mais e mais integra estes lugares de produção, transformando o que antes eram relações arcaicas ( meeiros, ou pequenos produtores familiares) em assalariadas e industriais. Em várias áreas de alguns países (Haiti, Paraguai...), estão vigentes, no entanto, as relações de produção anteriores ao capitalismo estritamente falando, ainda que, este último as domina e as utiliza como tal, integrando-as e destruindo-as pouco a pouco.
O segundo ponto tocado foi precisamente dar-nos conta como esta preocupação (o campo) não apareceu na formação de grupos. A respeito, pensamos que representa certo tipo de falha em nossa organização e pensamentos de luta na construção do que deve ser a acumulação máxima das forças possíveis do povo trabalhador. Decidimos fazer com que isso seja notado claramente na plenária.
Outra fase das discussões foi então cada um ouvir o relato da situação desta área em cada país. Começando pelo Haiti, ficamos na composição de classe das lutas camponesas, diferenciando os operários agrícolas dos meeiros e dos pequenos camponeses dominados e explorados, enquanto se apresentava, por outro lado, o dinamismo da proletarização acelerada, que a dominação neoliberal impõe.
No caso do Paraguai, se ressaltou também o processo de decomposição do campo, das migrações subseqüentes e todas as lutas que estão se dando como parte da resistência a estes ataques. Também se apontou o fato de que são majoritariamente empresas brasileiras que encabeçam este processo e a problemática de identidade que tudo isso trás, adicionalmente. Coletivização para resistir, seria então a consigna lógica, no entanto isto, às vezes, causa dificuldades enormes por parte dos pequenos camponeses. Daí, as discussões a respeito que aconteceram no grupo, a transformação necessária destas alianças e a cautela e paciência imperativas.
No caso do Brasil foi mais extensamente apresentado, já que o processo organizativo do MST é algo notável em si. A história de todo o processo foi apresentada e discutida, até chegar à polarização atual entre base e direção, devido à integração desta organização ao governo, as poucas satisfações conseguidas e os desvios conseqüentes. A complexidade das rupturas em curso, também foi objeto de preocupação. Apesar de tudo, é imprescindível a aliança entre este campesinado em decomposição e a classe operária urbana, única capaz de organizar a resistência progressiva. Também ali se tocou a problemática dos povos originários dentro deste processo e como se articulam as relações de dominação e exploração com os roubos de terra e de recursos naturais por parte das transnacionais apoiadas pelos latifundiários locais e os governos a seu serviço.
No caso da Argentina foi igualmente debatido ao redor de uma luta concreta que se está dando agora mesmo lá com respeito a retenção proposta pelo governo, a diferenciação proposta pelos pequenos produtores, a grande violência e o enorme dinamismo do processo mas também o fato que os que o encabeçam são os latifundiários e a burguesia. Tantas preocupações que deram lugar a debates sem acabar realmente e tomar uma posição de conjunto.
E agora?
1. Outra vez apresentar ao plenário do ELAC, a necessidade de incluir de maneira mais conseqüente este lugar de luta, o campo, sua relação com a cidade e a imprescindível necessidade - obrigação - que temos de tornar possível e concreta a aliança fundamental operário-camponesa;
2. Abrir um espaço de reflexão e discussão a respeito, dentro do ELAC;
3. Seguir aprofundando a investigação e a inserção nas lutas ali levadas ou latentes; em todo caso (e segundo as forças acumuladas) provocá-las;
4. Tratar de que estas práticas sejam já comuns na América Latina e Caribe que estamos construindo;
5. Assegurar-se de que na extensão do ELAC em outros países onde ainda não está incluído, este tema (o campo) seja dos seriamente considerados e praticamente inseridos;
6. Estruturar toda esta prática, baseados em uma linha que também desenvolvamos coletivamente;
7. Tratar de que já se possa coletivizar tanto os conhecimentos como as reivindicações comuns, sobretudo quando estas sejam frente a transnacionais comuns, parecidas ou projetos regionais das classes dominantes coordenadas.
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