Relatório do Grupo do SETOR INDUSTRIAL
ENCONTRO LATINO-AMERICANO E CARIBENHO DE TRABALHADORES - ELAC
7 e 8 de julho de 2008 – Betim, Minas Gerais – Brasil
Relator: Luis Carlos Prates (Brasil)
Relatório do Grupo do Setor Industrial
Presentes: delegações do Brasil, Chile, Haiti e Venezuela, representando metalúrgicos, trabalhadores da construção civil, do setor têxtil e industriais químicos
A partir dos relatos de representantes de cada país foi constatado que os trabalhadores sofrem as mesmas mazelas. São baixos salários, precarização do trabalho, terceirização, quarteirização, subcontratação.
As empresas, para aumentar os seus lucros, reestruturam a produção e impõem um ritmo alucinante de trabalho, aumentando os acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
Ao mesmo tempo, os governos flexibilizam a legislação trabalhista e previdenciária, com a desculpa de geração de empregos. O resultado da aplicação destas políticas neoliberais foi à ampliação do desemprego e a precarização total nas relações de trabalho.
Os empresários também conseguem isenções fiscais e recursos do Estado, que deveriam ser aplicados em educação, saúde, moradia etc, para subsidiar a implantação de fábricas e aumento de sua produção. Isso é uma realidade no Brasil, Venezuela e Haiti, por exemplo.
Esta situação é mais escandalosa nas chamadas zonas francas, como em Manaus, no Brasil, e no Haiti. Aliás, no Haiti, as maquiladoras, sem pagar impostos, se utilizam de mão-de-obra muita barata, em um trabalho quase escravo, para aumentar seus lucros. Se paga, em média, apenas dois dólares por dia. Esses produtos fabricados por mão-de-obra explorada depois é comercializado no mercado norte-americano, europeu, etc.
Os governos e os empresários impõem também as comissões tripartites, ou seja, a negociação entre trabalhadores, empresários e governo, para aplicar a agenda neoliberal e instituir a parceria entre patrões e trabalhadores. Neste jogo os trabalhadores sempre saem perdendo. Já os dirigentes sindicais que aplicam essa política, ajudam as empresas a aumentar sua competitividade e semeiam a divisão entre os trabalhadores.
Os trabalhadores têm lutado contra essa situação, como expressaram a greve da Sidor, na Venezuela, as greves no setor da construção civil em Fortaleza e São José dos Campos, a luta na GM de São José dos Campos e manifestações da juventude no Chile. Isso demonstra que é possível enfrentar essa situação.
Contra a globalização capitalista, globalizar as lutas!
Em primeiro lugar é preciso independência de classe dos trabalhadores frente aos patrões e ao governo, rejeitando a parceria com os patrões e o governo.
Os trabalhadores devem acreditar apenas na sua própria força, juntamente com outros setores oprimidos.
Frente à parceria que dirigentes sindicais querem impor junto com as empresas, é preciso uma nova direção, com independência política.
Por isso, entendemos que é preciso coordenar essas lutas. Devemos apoiar todas as lutas dos trabalhadores que acontecem no continente. Encher as greves de solidariedade.
Para isso, propomos uma rede de contatos entre nós, com a criação de uma página na Internet.
Em relação ao programa, frente à crise do aumento do preço dos alimentos, devemos reivindicar o aumento geral dos salários e a reposição automática de acordo com a inflação.
Contra a precarização do trabalho.
Além de todo o programa contido no Manifesto do ELAC.
Pelo setor industrial ser fundamental para a produção nacional e pelo papel político que a classe operária exerce nas lutas da sociedade, devemos lutar para aumentar as nossas forças neste setor. Devemos organizar oposições sindicais nos sindicatos pelegos, fazer um trabalho paciente e clandestino dentro das fábricas fazendo com que os sindicatos combativos utilizem as suas forças para ampliar o sindicalismo combativo em outros países.
Devemos ainda fazer campanhas contra a criminalização dos movimentos sociais, perseguição, assassinato e demissão de dirigentes sindicais, bem como contra os interditos proibitórios, que no Brasil penaliza e multa a ação sindical combativa.
Campanha de solidariedade ativa ao Haiti
Além da campanha que já estamos realizando pela retiradas das tropas estrangeiras no Haiti, devemos também denunciar os objetivos dessa ocupação, que é manter uma situação onde a mão-de-obra é extremamente explorada, com baixíssimos salários, onde a população já não consegue nem comer. Devemos denunciar os empresários que estão indo se instalar no Haiti, com maquiladoras, como o vice-presidente do Brasil, José de Alencar, para pagar salários baixíssimos e exportar a produção para os EUA e outros países.
Nesse sentido a luta e o apoio aos trabalhadores do Haiti é uma tarefa de toda a classe trabalhadora para impedir a redução dos direitos e o saqueio imperialista.
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